Novo calendário Pirelli promove diversidade e inclusão

O Calendário Pirelli é uma das publicações mais tradicionais e respeitadas da indústria da moda. Sendo assim, ele é um ótimo termômetro para entendermos como a alta hierarquia fashion tem lido e entendido as mudanças mais que necessárias pelas quais o mundo está passando. Neste ano, apesar de ainda estar longe de seu lançamento oficial, o calendário exibe em imagens de backstage que continua se atualizando. Ele contará a história de Alice no País das Maravilhas clicado por Tim Walker e com um casting formado apenas por pessoas negras.

A publicação tem passado por mudanças nos últimos dois anos. Se durante a sua história ele produziu majoritariamente imagens de mulheres nuas clicadas por homens — incluindo Terry Richardson — ultimamente ele começou a modificar seu discurso através de casting inclusivos e também por convidar mulheres para estarem atrás das câmeras. A grande virada aconteceu em 2016, quando Annie Leibovitz retratou outras mulheres que eram reconhecidas por suas conquistas profissionais, culturais e sociais. 

Entre os grandes destaques das fotos estão Adwoa Aboah, Naomi Campbell, Lupita Nyong’o, Duckie Thot, Whoopi Goldberg, Thando Hopa, Sasha Lane e RuPaul. 

“A história de Alice nunca foi contada dessa forma”, conta Tim Walker ao The Guardian. Mas não é a primeira vez que o calendário retrata apenas mulheres negras: em 1987, Campbell estrelou uma edição especial com esse tema. Apesar disso, o tom é muito diferente nesta edição, inserindo a diversidade na conversa.

Mesmo que ainda exista ceticismo sobre o futuro das edições do calendário — e da moda em si –, ele é um reflexo desse novo momento do mundo. A modelo sul africana Toando Hopa, que interpreta a Princesa de Copas nas imagens, na verdade trabalhava como promotora especializada em casos de ofensa sexual, e só virou modelo pois “queria ter um nível maior de representação para alguém que é tão diferente”, contou ela, que tem albinismo, ao The Guardian.

De acordo com a modelo, o calendário é uma representação do poder das imagens: “você vê alguém retratado de uma forma particular e isso te dá inspiração e motivação. Esse é um passo importante. De inserir imagens que não são genéricas, que não se conformam com os estereótipos”, finaliza a modelo.

Via Elle Brasil